Exclusivo: vítimas brasileiras denunciam o comportamento violento de JP Azevedo, surfista que agrediu americana no mar

vídeo de um surfista brasileiro agredindo uma americana dentro do mar, esta semana, em Bali, na Indonésia, provocou indignação e viralizou no mundo inteiro.

Depois da repercussão do caso, surgiram novas denúncias contra o capixaba João Paulo Azevedo. O Fantástico conversou com três mulheres que relatam terem sido vítimas da violência do surfista, no Brasil.

Praia de Pandawa, Bali, Indonésia:

  • No vídeo filmado da areia por Charlie MC Harg, amiga de Sara, dá para ver JP entrando na mesma onda de um outro surfista, que parece ser Adriano Portela. Na linguagem do surfe, isso se chama rabear e, em alguns casos, pode ser considerado um ato desrespeitoso.
  • Em seguida, sara pega uma onda e adriano portela tenta entrar.
  • Eles se empurram, Adriano desiste e Sara segue.
  • Quando a surfista volta, remando, leva um soco de JP, amigo de Adriano.
  • Eles discutem e se afastam.

 

“Estava cheio, e eu vi alguns caras que estavam se esbarrando, as vezes acontece no surf, mas a onda veio e eu estava no lugar certo, esse cara, de forma intencional esbarrou em mim. Essa foi a minha primeira onda. E enquanto eu estava nadando alguém estava gritando pra mim, eu não entendi. Tudo aconteceu muito rápido, eu estava confusa, ele estava gritando algo que era a onda deles, mas eu perguntei, era você ali? E ele disse não, era meu amigo, e eu não queria ficar discutindo, eu só queria surfar, então eu joguei água na cara dele, com se fosse pra ele parar, tipo: ‘Por que você está gritando comigo?’. E eu continuei nadando e foi ai que ele me bateu. Eu fiquei em choque, mas eu não queira me sentir derrotada, como se eles tivessem me espantado dali, então eu continuei surfando por pelo menos uma hora”.

João Paulo Azevedo tem 39 anos, já disputou campeonatos profissionais e vive em Bali desde 2019.

Antes de deletar sua rede social, ele publicou um vídeo em que lê uma mensagem sobre o caso: “Eu vi o surfista empurrar o meu amigo, fui perguntar por que ele fez isso quando fui agredido no rosto e revidei. Daí vi que não era um homem e, sim, uma mulher, na mesma hora fui pedir desculpas e me redimi. Saí da água triste e então veio ela e sua amiga me atacar, me jogaram no chão, pegaram a minha prancha no carro”.

Sara conta uma versão diferente: “Acabei de surfar e sai. Charlie me perguntou: ‘Alguém te bateu lá?’ E eu falei: ‘Sim, foi ele’. Eu identifiquei JP e ela queria filmar o rosto dele, só para ter certeza, de que ele era o cara que me bateu”.

O Fantástico conversou com três mulheres que tiveram relacionamentos com o surfista. Elas também relatam episódios de violência.

Carolina Braga namorou com JP Azevedo durante seis meses, em Santa Catarina, e conta que foi agredida.

“Foi uma surra, foi muito forte, mas eu senti muita vergonha muita tristeza. Chorei muito, eu quis me matar, foi muito difícil. Tive traumatismo craniano”.

 

O caso aconteceu em 2019. Carolina disse que registrou boletim de ocorrência e os dois nunca mais se vim.

Outra mulher, que prefere não mostrar o rosto, têm três medidas protetivas contra JP.

“Tive uma relação com ele durante quase três anos. Lembro de vários momentos que ele atirava coisas, ele chegou a quebrar quatro celulares nesse período todo. Ele me batia, me empurrava, diversas vezes me chutou, me agrediu”.

Carol decidiu tornar público o espancamento que sofreu.

“Falei: ‘Meu Deus esse cara continua fazendo, tendo esse tipo de atitude, sabe?”.

Flora teve um relacionamento curto com JP e conta que foi atacada depois de uma discussão.

“Estava com as minhas amigas e ele chegou transtornando me ameaçando, pegou uma cadeira e disse que ia me matar. Me levantei fui até ele, dei um tapa no rosto dele: ‘Por favor para o que está fazendo’, para ver se ele voltava. E aí isso ele pegou voltou três passos. Tinha uma escada, ele subiu a escada pegou um impulso e me deu um pedalasso na barriga. Eu voei e bati com a nuca no banco”, relata Flora Gomes, psicóloga.

O post de Sara na rede social, com vídeos e fotos, tem quase 8 mil comentários. Grandes campeões prestaram solidariedade à surfista.

O patrocinador de João Paulo Azevedo também se manifestou. Disse que ele não faz mais parte do time e que a marca não compactua com esse tipo de comportamento.

Sara Taylor e Charlie MC Harg deram queixa à polícia na Indonésia contra João Paulo Azevedo e Adriano Portela.

Fantástico tentou falar com JP Azevedo pra repercutir o episódio em Bali e as acusações das brasileiras, mas o telefone dele não está recebendo ligações

Em nota, os advogados de Adriano Portela disseram que ele não agrediu qualquer pessoa, não compactua com agressão física e que está à disposição das autoridades.