O prefeito de Ilhéus, Mário Alexandre, acompanhado do coordenador da Defesa Civil no município, Joandre Neres e mais a representante do órgão no estado, Caroline Martins, visitou, inúmeras áreas consideradas de risco. O objetivo foi avaliar os estragos provocados com a intensificação do período chuvoso no município e elaborar um parecer técnico de toda a situação. Segundo os dados registrados, há pelo menos 48 pontos de alto risco catalogados e monitorados.

Técnicos da Defesa Civil acompanham de perto a situação de famílias que residem nos morros de Ilhéus. Apesar de sucessivos alertas sobre os riscos causados por estruturas que podem ceder com a força da chuva, o órgão entrou com medidas de contenção provisória com a utilização de lonas. A Prefeitura agora pretende começar a fazer obras emergenciais de contenção de encostas nessas comunidades. São muros e valetas para escoamento de água da chuva.

Pontos – No Alto dos Palmares, região mais alta do Basílio, Mário Alexandre acompanhou de perto o drama das famílias que moram em pontos que sofrem historicamente nos períodos chuvosos. Há seis meses, uma pavimentação de rua cedeu com destruição parcial da contenção de pedra. A obra foi implantada na gestão anterior, mas segundo avaliação dos engenheiros, o sistema de drenagem encontra-se com restos de concreto de construções de casas, por isso o volume de água da chuva percorre pelo passeio e desce pela encosta.

“Percorri juntamente com as equipes por diversos morros. Verificamos os estragos e iremos buscar esforços o mais rápido possível junto com os governos estadual e federal a fim de reduzir os efeitos negativos provocados pela chuva em nossa cidade. A situação desses moradores é preocupante e por isso fiz questão de vir pessoalmente. Visitamos o Alto do Nerival que ocorreu um deslizamento de terra devido um rompimento de numa adutora e por isso, a água passou a jorrar por horas”, argumentou Mário Alexandre.

Perigos – Conviver com o enladeirado das ruas no período chuvoso já torna difícil a mobilidade. Em muitas áreas, moradores construíram casas no entorno dos taludes naturais agravados pela ocupação e ação humana. Geralmente são ocupações em habitações em locais impróprios, oferecendo condições propícias para o desenvolvimento desse fenômeno. Infelizmente, a chuva não é a única vilã nas áreas de encostas. Segundo os geógrafos, as bananeiras causam a estabilidade das encostas.

Dona Rosângela Nascimento dos Santos é uma das moradoras do Alto da Esperança. Era madrugada do último sábado (26) quando a Defesa Civil foi acionada. A chuva atingiu uma casa que já havia sido notificada. A destruição motivou a retirada da moradora da área afetada. “Acordei ouvindo a zoada. Quando vi, já estava tudo barranco a baixo. Moro há 30 anos aqui e já sabia que um dia isso iria acontecer”, relatou a moradora.

Parecer técnico – Já a coordenadora estadual de Resposta e Reconstrução da Sudec, Caroline Martins, explicou que a inspeção visa inspecionar os estragos. “Ilhéus possui muitas áreas críticas. Com a chuva, estas áreas se tornam suscetíveis a deslizamentos o que é preocupante. Diante disso, vamos elaborar um parecer para a homologação estadual no sentido de apoiar o município no reconhecimento federal e traçar os planos de reconstrução destas áreas afetadas”, explicou Caroline Martins.

O coordenador da Defesa Civil no município, Joandre Neres, informou que, diante dos últimos acontecimentos, o departamento entrou em contato com a superintendência do órgão no estado a fim de acompanhar a situação. “Iremos encaminhar as documentações para que seja decretada situação de emergência, uma vez que o município não tem poder absoluto para aplacar os estragos causados durante os picos de chuvas”, disse.

Além das localidades do Alto do Nerival e Palmares, foram vistoriados outros pontos críticos, como foi o caso do Alto do Coqueiro e da Rua Uruguaiana, no bairro do Malhado e o Alto da Esperança, no bairro Esperança. Participaram da inspeção, os vereadores Ery Bar e Cesar Porto; os secretários municipais de Serviços Urbanos, Hermano Fahning e de Infraestrutura, Transportes e Trânsito, Átila Dócio.