
Por Mariana Gagulich

Neste artigo, queremos trazer um ponto para análise que toda cidade em crescimento precisa fazer, que é o cuidado com o seu próprio material construído. O descarte irregular é uma questão nacional, mas, hoje, nós da CVR Costa do Cacau, queremos fazer uma análise da nossa região. E que chama nossa atenção é que, preocupantemente, o Nordeste lidera os primeiros lugares. A ABREMA relatou em 2023 que o país gerou 44,46 milhões de toneladas de resíduos de construção e demolição. No Sudeste, esse tipo de insumo é produzido com mais frequência, seguido pelo Nordeste, Norte e Centro-Oeste. Estima-se também que apenas 6% foram recuperados, segundo a ABRECON.
Sabemos que este é um esforço contínuo onde devemos trabalhar para a educação ambiental, o bom senso e o cuidado das pessoas, instituições públicas e privadas e municípios. Basta caminhar por áreas em desenvolvimento ou comunidades e você verá algum canto, seja um terreno baldio na beira das ruas ou até calçadas, tomados por entulho. O descarte inadequado do resíduo de construção civil é um problema ambiental, sanitário e financeiro grave, especialmente no Nordeste, que lidera índices preocupantes de resíduos descartados irregularmente. E é essa provocação que temos e queremos abordar aqui. Nosso ponto de partida é fazer você pensar e abrir um diálogo sobre como você descarta esse tipo de resíduo é uma grande parte da estratégia direcionada, ou a ausência dela, para o seu negócio ou instituição que você lidera.
Resíduos de construção são apenas entulho, alguns dizem. Mas esse resíduo é valioso e pode ser transformado em oportunidades. Incluem tijolos, concreto, argamassa, madeira, metais, cerâmicas e materiais de acabamento, entre outros.
É geralmente descartado por moradores, pequenas empresas e até por empresas que optam pelo caminho mais barato e ilegal. Quando o resíduo de construção civil é jogado em terrenos baldios, vias públicas ou áreas de preservação, as consequências vão desde o acúmulo de entulho em áreas de drenagem, obstruindo bueiros e sistemas de águas pluviais, aumentando o risco de enchentes. A ocupação irregular de áreas públicas, vai gerar ainda degradação de terrenos, praças e margens de estradas. Além é claro, de ser um problema de saúde pública como se torna vetor para mosquitos, ratos e outros animais que podem transmitir doenças.
Esses pontos de descarte irregular também criam efeitos sociais e econômicos, exigindo gastos públicos com limpeza urbana e recuperação de áreas degradadas, e recursos que poderiam ser investidos em outras melhorias para a cidade.
O RCC é deixado para ser descartado em terrenos vazios ou áreas irregulares, então as perdas são para todos. É um material que contribui para a poluição do meio ambiente, e incentiva a criação de novos pontos de descarte irregular e custa dinheiro à cidade que poderia ser usado para melhorar outras coisas. “Mas quando tudo é feito com uma caçamba licenciada, estamos protegendo o meio ambiente, protegendo a saúde pública e construindo uma cidade mais organizada, limpa e sustentável”, disse Angélica Tomassini, especialista socioambiental da CVR Costa do Cacau.
O que diz a legislação sobre resíduos de construção?
O descarte de resíduos de construção não é uma questão de escolha, mas é regido por lei. A Resolução CONAMA nº 307/2002 exige o descarte, transporte e destinação ambientalmente corretos dos resíduos, tornando ilegal o descarte em terrenos baldios e áreas públicas. Ou seja, se você descarta entulho em um terreno baldio, não é apenas um problema para o meio ambiente, mas uma infração ambiental.
E como nós da CVR Costa do Cacau entramos nesse cenário para apoiá-lo?
Atuamos como parte da solução para os municípios da região, pois realizamos o descarte adequado dos resíduos de construção, de acordo com a legislação e as condições de licenciamento ambiental, oferecendo aos municípios e empresas de construção uma alternativa segura e legal ao descarte irregular.
Aqui na CVR batemos na tecla de que não é sobre gerar o resíduo, afinal, o que polui é o descarte incorreto. Para você ter uma ideia, por aqui, já recebemos 655 mil toneladas de resíduos de construção civil. Em 2021 foram 56.114 toneladas, seguido de 2022 com 110.986, 2023 com 147.273, 2024 com 166.957 e, 2025, com 174.360 toneladas.
Nosso próximo passo é valorizar o resíduo de construção civil
Hoje, os resíduos de construção recebidos pela CVR Costa do Cacau são descartados, mas nosso próximo passo para o futuro será valorizá-los, como já é feito no Espírito Santo, com a Marca Ambiental, que faz parte do Grupo Marca, do qual fazemos parte. Também implementaremos o mesmo tipo de projeto de valorização de resíduos que o Vila Recicla, e esperamos que isso aconteça até 2030.
Para conhecer mais sobre o case Marca Ambiental e Vila Recicla, clique aqui
O projeto ainda está na fase de estruturação, mas de antemão, enfatizamos que os entulhos serão reciclados e valorizados para serem usados para realizar obras de infraestrutura, pavimentação, voltando assim com esses produtos para a cadeia produtiva.
Isso, além de ajudar a reduzir a extração de recursos naturais, vai reduzir o volume de resíduos que são descartados incorretamente, e também desenvolver valor em forma de economia circular na região.
E o que você, gestor municipal ou empreendedor, pode fazer hoje?
É fundamental que autoridades públicas e empresas façam o descarte correto, utilizem transportadores regularizados e participem de campanhas educativas para reduzir o descarte irregular e construir cidades mais limpas. Por aqui, na CVR Costa do Cacau, também trabalhamos para manter um diálogo constante com as autoridades públicas e garantir que possamos trabalhar para promover uma melhor gestão desses resíduos na região a qual atuamos.
É uma mudança cultural, que começa com o diálogo, campanhas de conscientização e colaboração, até à prática correta, com foco em ajudar a reduzir o número de locais de descarte incorreto. Os resultados, sem dúvidas, virão em forma de economia, mais saúde e, em breve, um ciclo de inteligência de economia circular em nossa região.
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Mariana Gagulich é assessora de imprensa do Grupo Marca-CVR Costa do Cacau











