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Relatório do Coaf liga ACM Neto a R$ 3,6 milhões de instituições investigadas pela PF



O pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto, enfrenta os primeiros abalos em sua campanha após revelações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontarem que uma empresa de sua propriedade recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master e da gestora Reag Investimentos. Os pagamentos, realizados entre 2023 e 2024, foram considerados atípicos pelo órgão de inteligência financeira, especialmente por partirem de instituições que hoje estão no centro de investigações criminais da Polícia Federal.

A empresa envolvida é a A&M Consultoria, aberta por ACM Neto e sua esposa em dezembro de 2022, poucos dias após as eleições daquele ano, com um capital social de apenas R$ 2 mil. Apesar do valor irrisório de abertura, a firma movimentou cifras milionárias em contratos com a Reag e o Banco Master, que somaram R$ 3,6 milhões em repasses diretos. No mesmo período, ACM Neto sacou R$ 4,2 milhões da própria empresa, em catorze operações que chamaram a atenção dos investigadores.

O problema para o ex-prefeito de Salvador não está apenas nos valores, mas na origem do dinheiro. A Reag Investimentos, que chegou a administrar mais de R$ 340 bilhões, é investigada pela Polícia Federal por suspeita de envolvimento em esquemas de fraude e lavagem de dinheiro em parceria com o Banco Master. Este último foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025 após a descoberta de um rombo bilionário que pode chegar a R$ 12 bilhões, com emissão de títulos sem lastro e operações fraudulentas. O controlador do Master, Daniel Vorcaro, está preso por determinação da Justiça, acusado de comandar o esquema e ainda de manter um “braço armado” para intimidar adversários e delatores.

ACM Neto confirmou os recebimentos e afirmou que os valores são referentes a serviços legítimos de consultoria prestados às duas instituições. Em nota, explicou que abriu a empresa após deixar cargo público e que os trabalhos envolveram análise da agenda político-econômica nacional, realizados por meio de reuniões com as equipes técnicas das contratantes. O dirigente do União Brasil ressaltou que, à época dos contratos, não havia qualquer fato público que desabonasse as empresas e que todas as obrigações fiscais foram cumpridas. Manifestou ainda estranhamento com o vazamento seletivo de informações protegidas por sigilo bancário e fiscal.

A revelação coloca ACM Neto em uma posição delicada justamente no momento em que se prepara para disputar o governo da Bahia nas eleições de outubro. Ainda que o político negue qualquer irregularidade, o eleitorado baiano agora terá que avaliar se a proximidade com instituições financeiras investigadas por crimes de colarinho branco, cujo controlador está preso, é um fato relevante para o voto. Enquanto isso, as investigações da Polícia Federal prosseguem, e novos documentos podem vir a público nos próximos meses, mantendo o caso no centro do debate político baiano.

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