
O Velho, o Sábio e o trickster
Por Antônio Carlos Magnavita Maia
À luz dos arquétipos da psicologia analítica de Carl Gustav Jung, o debate entre Lula e Flávio Bolsonaro nos remete ao confronto simbólico entre o Velho Sábio e o Trickster.
O Trickster é astuto, provocador e manipulador das aparências. No debate, Flávio pareceu recorrer a essa estratégia: gestos calculados, provocações e posicionamentos diante das câmeras — inclusive permanecendo atrás de Lula enquanto ele falava, como um papagaio de pirata. Uma encenação que pode render cortes e repercussão nas redes sociais.
Mas repercussão não é persuasão. Chamar a atenção de quem já está convencido é diferente de conquistar novos eleitores. Quando a encenação se sobrepõe ao conteúdo, o efeito pode se voltar contra o próprio personagem. Nem o melhor marqueteiro controla todas as consequências de uma estratégia.
Lula representa, nessa leitura, o Velho Sábio — não por ser infalível, mas pela experiência acumulada, pelo conhecimento das instituições e pela trajetória à frente do país. Uma trajetória com erros e contradições, mas que, na minha avaliação, também produziu avanços sociais, políticos e econômicos relevantes.
O Brasil precisa de mais do que frases de efeito e disputas de imagem. Precisa de capacidade de governar, enfrentar desigualdades, fortalecer o SUS, investir em educação, ciência e tecnologia e defender a soberania nacional.
Reconhecer os erros de Lula não exige ignorar suas realizações. Apoiá-lo não significa conceder-lhe um cheque em branco, mas avaliar o conjunto de sua trajetória e o país que ainda podemos construir.
Por isso, fico com o Velhinho!
Não pela perfeição de um homem, mas pela experiência acumulada e pelos avanços que considero fundamentais para o futuro do Brasil.
Parabéns, Velhinho, pela trajetória! Ao abrir seu sigilo bancário e desafiar o adversário a fazer o mesmo, você traz a transparência para o centro do debate.
Vamos deixar o homem governar, com a estabilidade, a ponderação e o equilíbrio que só a experiência traz.









