O Vazio do Poder e Pedro Tavares como fica? Editorial Prof Emenson Silva


Entre promessas, vaidades e acordos não cumpridos, cresce a dúvida sobre quem realmente conduz o jogo político em Ilhéus.
Há governos que enfrentam crises por excesso de oposição. Outros, por falta de recursos. Em Ilhéus, a situação parece mais sofisticada e talvez mais perigosa. O atual governo municipal começa a dar sinais de desgaste não por ataques externos devastadores, mas pela própria incapacidade de consolidar um grupo político minimamente coeso. E política, goste-se ou não, não funciona no vácuo.
A sucessão estadual começou antes do calendário admitir oficialmente. Enquanto alguns ainda organizam agenda, outros já organizam território. Nesse aspecto, o grupo ligado a Jabes Ribeiro parece ter entendido rapidamente a lógica do momento. Ocupação política se faz com presença, alinhamento e construção de fidelidade. Não por acaso, os movimentos em torno de Igor Domingues começam a ganhar musculatura antes mesmo de boa parte do governo municipal perceber que a disputa já começou.
Do outro lado, o cenário é de dispersão. A impressão transmitida pela gestão de Valderico Júnior é a de um governo que venceu a eleição, mas ainda não compreendeu plenamente o que fazer com o poder depois da vitória. Porque conquistar o poder é apenas metade da equação. Mantê-lo exige coordenação, capacidade de articulação e, sobretudo, previsibilidade política, justamente um dos elementos que mais parecem ausentes no atual momento da administração.
Nos bastidores da política ilheense, cresce a percepção de que acordos estabelecidos durante o processo eleitoral não vêm sendo devidamente preservados. Em política, descumprimento recorrente de compromissos produz um efeito silencioso e devastador. Lideranças começam a recalcular rotas, vereadores ampliam conversas paralelas e aliados passam a agir como quem já prepara um plano de contingência. Ninguém permanece indefinidamente em um projeto que não oferece segurança política.
Talvez por isso o isolamento comece a se tornar visível até para quem preferia ignorá-lo. Muitos vereadores já demonstram distância prática do projeto estadual ligado a Pedro Tavares. Alguns sequer escondem mais suas movimentações alternativas. Quando a base começa a procurar outras portas antes mesmo da disputa começar oficialmente, dificilmente o problema está apenas na falta de diálogo. Há algo mais profundo. Falta comando político efetivo.
O curioso é observar como determinados atores recebem tratamentos distintos dentro do mesmo tabuleiro. A relação institucional e social construída com Leur Lomanto Júnior aparenta possuir outro grau de prioridade, outra atenção e outra delicadeza política. Enquanto isso, o espaço de Pedro Tavares em Ilhéus parece diminuir de maneira progressiva e pública. A ponto de a perda de centralidade já não exigir análise sofisticada. Basta observar os movimentos.
Talvez aí esteja uma das maiores fragilidades da atual gestão. A confusão entre popularidade administrativa e sustentação política. São coisas diferentes. Uma gestão pode manter índices razoáveis de aprovação enquanto perde capacidade de articulação. Pode parecer organizada visualmente enquanto internamente acumula ruídos, ressentimentos e fragmentação.
A política brasileira conhece bem governos sustentados por estética administrativa. Pintura nova, comunicação eficiente, agenda positiva, redes sociais ativas e inaugurações protocoladas. Tudo muito funcional para a percepção imediata. Mas política pública consistente não se mede apenas pela capacidade de produzir sensação de movimento. Em algum momento, a realidade cobra profundidade, e profundidade exige grupo político, algo que a atual administração ainda não conseguiu demonstrar possuir de forma sólida, disciplinada e estrategicamente alinhada.
O que se vê é um ambiente frequentemente atravessado por vaidades, disputas internas, presunções prematuras e dificuldades evidentes de coordenação. Em política, isso custa caro. Principalmente quando adversários demonstram exatamente o oposto.
Nicolau Maquiavel resumiria a situação de maneira simples. Conquistar o poder é difícil. Mantê-lo é muito mais. Porque a manutenção do poder depende menos do entusiasmo da vitória e mais da capacidade de construir estabilidade.
O problema para o governo de Ilhéus é que o relógio político não costuma esperar administrações desorganizadas. Enquanto alguns ainda acreditam estar começando o jogo, outros já avançaram várias casas no tabuleiro.











