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JIET 2026: entre jogos, ancestralidade, formação e resistência



Entre os dias 15 e 19 de setembro de 2026, a Arena Paranã, no território Tupinambá de Olivença, foi palco da XI edição dos Jogos Indígenas Estudantis Tupinambá — JIET 2026, reunindo estudantes, comunidades, lideranças e povos indígenas em um grande momento de encontro, interação, interculturalidade e fortalecimento cultural.

Mais do que uma competição esportiva, o JIET se apresentou como um espaço de vivência, aprendizagem e formação, onde cada modalidade carregou consigo elementos da história, da cultura, da ancestralidade e da relação dos povos indígenas com seus territórios.

Durante os cinco dias, foram realizadas modalidades como arco e flecha, arremesso de tacape, zarabatana, corrida rústica, luta corporal, luta de maracá e corrida da folha da patioba, entre outras atividades. Em cada prova, não estava apenas a busca pelo resultado, mas também a presença de conhecimentos construídos e transmitidos entre gerações.

O arco e flecha, a zarabatana e o tacape, por exemplo, carregam conhecimentos relacionados ao território e às formas tradicionais de vida. As corridas e lutas expressam força, disciplina, resistência e preparo. O maracá, por sua vez, ultrapassa a dimensão de um instrumento: carrega consigo significados culturais e espirituais.

Um encontro entre povos

O JIET também foi espaço de interculturalidade e troca de saberes. A presença de diferentes povos possibilitou encontros, conversas e experiências que mostram a diversidade existente dentro dos povos indígenas.

Essa convivência permite compreender que cada povo possui sua própria história, seus conhecimentos e suas formas de celebrar a vida, mas também enfrenta desafios comuns na defesa de seus direitos, de suas culturas e de seus territórios.

Por isso, os jogos indígenas não podem ser vistos apenas pela lógica esportiva convencional. Existe uma dimensão muito maior: a possibilidade de aprender com o outro sem deixar de afirmar quem somos.

Muito além da competição

O olhar sobre o JIET também precisa ser crítico. Para Lailson Sypó Tupynambá, liderança jovem, comunicador e coordenador regional Sul do MUPOIBA e COJIBA, realizar um evento como esse significa pensar sobre aquilo que está sendo construído para as próximas gerações.

O JIET não deve formar apenas competidores. Deve contribuir para formar sujeitos conscientes de sua história, de sua identidade, de seu território e de sua responsabilidade enquanto povo.

Nesse sentido, os jogos também são um espaço de formação política, cultural e espiritual.

Política porque fortalecem a consciência sobre os direitos indígenas, o território e a necessidade de participação na construção dos caminhos das próprias comunidades.

Cultural porque possibilitam que práticas, conhecimentos e memórias continuem sendo vivenciados e transmitidos, não como algo do passado, mas como parte viva do presente.

E espiritual porque existe uma relação profunda entre os povos, seus ancestrais, o território e as forças que sustentam a vida.

Comunicação indígena também é território

O JIET 2026 também mostrou a importância de uma comunicação feita pelos próprios indígenas.

Registrar uma corrida, uma luta, um ritual, um encontro ou uma expressão cultural não significa apenas produzir uma fotografia ou um vídeo. Significa construir memória.

Quando a comunicação é feita a partir do território e por pessoas que compreendem sua realidade, o registro ganha outro significado. Não somos apenas objetos de uma narrativa produzida por outros. Somos também aqueles que contam, registram e preservam a própria história.

A comunicação indígena, nesse sentido, também é uma forma de fortalecimento e afirmação.

Uma homenagem aos comunicadores do JIET 2026

Não poderia encerrar este registro sem deixar uma homenagem singela aos comunicadores que estiveram na linha de frente dos registros desta XI edição.

Nataly Regina (Tembireko Tupinambá), May Tupinambá, Dafne Monteiro e Lailson Sypó Tupynambá fizeram parte de uma comunicação construída com responsabilidade, sensibilidade e compromisso com o território.

Cada um, com seu olhar e sua forma de comunicar, ajudou a registrar momentos que agora também fazem parte da memória do JIET 2026.

Mais do que produzir imagens, vídeos e textos, estivemos ali para servir, registrar e fortalecer a nossa própria história.

Somos diferentes em nossas formas de fazer comunicação, mas podemos caminhar por um mesmo propósito: fazer com que a nossa história seja contada por nós, a partir do nosso território e da nossa própria voz.

A vocês, minha gratidão, meu respeito e meu reconhecimento.

Vocês são potência. E quando a comunicação indígena se fortalece, nossa história ganha voz, memória e continuidade.

O que fica depois dos jogos

Quando a Arena Paranã se esvazia, permanecem as experiências, os encontros, as imagens, os aprendizados e as memórias construídas durante esses cinco dias.

O JIET 2026 mostrou que jogar também pode ser educar, reunir, lembrar, fortalecer e resistir.

A verdadeira dimensão dos jogos não está somente em quem chega primeiro ou em quem vence uma modalidade. Está também naquilo que permanece depois da competição: a identidade fortalecida, os vínculos construídos e a consciência de que cada geração recebe uma responsabilidade diante das que virão.

Reflexão

Enquanto houver memória, território e ancestralidade, nossos jogos serão muito mais do que jogos: serão caminhos para lembrar quem somos, fortalecer quem somos e preparar o caminho para quem ainda virá.

@Lailson Sypó Tupynambá
Liderança jovem, comunicador e coordenador regional Sul MUPOIBA e COJIBA

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