
Por Antônio Maia
A trajetória de Daniel Vorcaro no sistema bancário começa no governo Michel Temer, quando tenta adquirir o Banco Máxima. A operação é rejeitada por Ilan Goldfajn, então presidente do Banco Central, indicado no governo anterior e ainda cumprindo seu mandato no início do governo Bolsonaro.
É justamente aí que os Bolsonaros entram na história do banco.
Em outubro de 2019, já no governo Bolsonaro, Roberto Campos Neto aprova a aquisição. A partir daí, Vorcaro expande seus negócios e transforma o Máxima no Banco Master.
A sequência é clara:
TEMER → ILAN → VORCARO REJEITADO.
BOLSONARO → CAMPOS NETO → VORCARO APROVADO E EM EXPANSÃO.
LULA → GALÍPOLO → VORCARO PRESO E MASTER LIQUIDADO.
Mas há um detalhe que não pode ser ignorado: Alexandre de Moraes só entra nessa história no final.
Quando o império de Vorcaro já está sob pressão, quando a derrota se aproxima e o Banco Master precisa desesperadamente de proteção, surgem os contratos milionários com o escritório de sua esposa.
De um lado, Flávio Bolsonaro aparece relacionado a Vorcaro e ao fluxo de recursos para o projeto Dark Horse. De outro, no momento final da crise, aparece Moraes, por meio de um contrato milionário de seu escritório com o Banco Master — equivalente, na nossa leitura, a uma verdadeira tábua de salvação diante da derrota que se aproximava.
Moraes e os Bolsonaros, evidentemente, não são aliados políticos. Estão em campos opostos.
Moraes enfrentou institucionalmente o bolsonarismo e a tentativa de golpe — matou no peito e chutou.
Mas política é uma coisa. Dinheiro é outra.
E é justamente aí que está o ponto central desta história:
dois personagens de campos políticos absolutamente antagônicos, em momentos diferentes, relacionados ao mesmo banqueiro.
Flávio Bolsonaro chegou a viajar a São Paulo para encontrar Vorcaro depois de sua primeira prisão.
Vorcaro mal teve tempo de mijar depois de sair da cadeia e já precisava discutir a continuidade do dinheiro para o filme.
E aqui cabe uma provocação:
o que realmente estava por trás daquele encontro?
Seria apenas a continuidade do financiamento de um filme?
Ou, numa hipótese política, poderia Vorcaro ter ouvido algo como:
“Continue pagando em… Vou ganhar a eleição e a primeira coisa que farei será determinar a liberdade sua e do meu pai — por meio de indulto — e também devolver a você aquilo que perdeu: o seu banco.”
Não afirmo que essas palavras tenham sido ditas. É uma hipótese, uma provocação política.
Mas o encontro precisa ser esclarecido.
E do outro lado está Moraes, que aparece somente no final da trajetória, quando Vorcaro já precisava encontrar uma saída para a derrota que se desenhava.
É por isso que a metáfora permanece:
DOIS BRAÇOS DISTINTOS, UM MESMO CORPO.
Um braço entra no início da história da expansão.
O outro aparece no final, quando a derrota bate à porta.
E a pergunta que precisa ser respondida é simples:
De quem era o dinheiro? Quem o movimentou? Quem recebeu? E quem se beneficiou?
Porque, se nesse dinheiro havia recursos públicos, previdenciários ou estatais, de privado não há nada. A conta é do povo brasileiro.
Dois braços, um corpo, muita cumplicidade,
E alguém está pagando a conta.
Acorda Brasil!
Blog Thame










