

Em meio às comparações frequentes sobre a gestão das duas maiores cidades do sul da Bahia, os prefeitos Augusto Castro (PSD), de Itabuna, e Valderico Junior (União Brasil), de Ilhéus, voltaram a protagonizar um sutil embate político. O estopim foi uma declaração feita nesta quinta-feira (08) por Valderico, em vídeo ao lado do secretário da Casa Civil de Ilhéus, Vinicius Ibrann, no qual ele exaltava o sucesso da festa de Réveillon na cidade.
Na gravação, enquanto Ibrann ressaltava a importância do evento de Ilhéus para “puxar outros eventos para a região”, Valderico emendou: “Quem tava parado teve que se movimentar, não tenho dúvida disso”. A fala foi imediatamente interpretada por apoiadores e observadores políticos como uma referência indireta a Augusto Castro, que dias antes havia anunciado, com grande destaque, que Itabuna terá “o maior carnaval antecipado do Brasil” em 2026.
O comentário de Valderico ganha ainda mais relevância pelo contexto contrastante das gestões. Enquanto o prefeito de Ilhéus está no primeiro mandato — período dedicado a reorganizar a casa —, Augusto Castro caminha para o seu quinto ano à frente da administração itabunense, em uma gestão de alto impacto com foco em infraestrutura, que tem transformado a cidade em um grande canteiro de obras.
Apesar da disparidade no tempo de gestão e no volume de projetos em execução, os dois gestores mantêm relações oficialmente harmoniosas e dialogam constantemente por parcerias entre as “cidades-irmãs”. Contudo, ocupam lados opostos no tabuleiro político regional e são frequentemente comparados em termos de popularidade. Ambos são avaliados como líderes de alta aprovação em suas bases, o que alimenta uma rivalidade administrativa — por vezes explícita — especialmente em momentos de disputa pelo protagonismo no sul da Bahia.
O cenário ganha contornos ainda mais estratégicos com a proximidade da eleição para governador do estado. Valderico alia-se a ACM Neto (União Brasil), enquanto Augusto Castro é aliado de Jerônimo Rodrigues (PT), atual governador. Assim, a competição local por visibilidade e obras reflete, em microescala, a polarização que deve marcar a corrida estadual.














