{"id":16041,"date":"2018-07-29T15:14:17","date_gmt":"2018-07-29T18:14:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ilheusnoticias.net.br\/v1\/?p=16041"},"modified":"2018-07-29T15:26:26","modified_gmt":"2018-07-29T18:26:26","slug":"denuncia-mae-perde-bebe-e-relata-descaso-e-humilhacao-na-maternidade-santa-helena-em-ilheus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ilheusnoticias.net.br\/v1\/2018\/07\/29\/denuncia-mae-perde-bebe-e-relata-descaso-e-humilhacao-na-maternidade-santa-helena-em-ilheus\/","title":{"rendered":"Den\u00fancia: M\u00e3e perde beb\u00ea e relata descaso e humilha\u00e7\u00e3o na maternidade Santa Helena em Ilh\u00e9us"},"content":{"rendered":"<div class=\"featured-image\"><img loading=\"lazy\" class=\"attachment-colormag-featured-image size-colormag-featured-image wp-post-image\" src=\"https:\/\/i2.wp.com\/ilheusempauta.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/IMG-20180729-WA0053.jpg?resize=486%2C274\" sizes=\"(max-width: 486px) 100vw, 486px\" srcset=\"https:\/\/i2.wp.com\/ilheusempauta.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/IMG-20180729-WA0053.jpg?w=486 486w, https:\/\/i2.wp.com\/ilheusempauta.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/IMG-20180729-WA0053.jpg?resize=300%2C169 300w\" alt=\"\" width=\"486\" height=\"274\" \/><\/div>\n<div class=\"article-content clearfix\">\n<header class=\"entry-header\">\n<h1 class=\"entry-title\"><span class=\"tag-links\">\u00a0<\/span><\/h1>\n<\/header>\n<div class=\"entry-content clearfix\">\n<p>A equipe do Blog Ilheusempauta apurou que na manh\u00e3 deste domingo, 29,\u00a0 o triste relato de uma m\u00e3e desesperada, que ao perder seu beb\u00ea, precisou fazer uma curetagem e passou por momentos de ang\u00fastia, descaso e desrespeito na Maternidade Santa Helena em Ilh\u00e9us. Al\u00e9m da tristeza por n\u00e3o prosseguir com a gesta\u00e7\u00e3o, devido a agress\u00f5es sofrida em um assalto, Roberta Concei\u00e7\u00e3o Bonfim sentiu-se humilhada pelos julgamentos e segundo a mesma, a falta de sensibilidade dos profissionais de sa\u00fade da maternidade citada. E n\u00f3s do Blog ilheusnoticias.net.br, por considerarmos grav\u00edssima a situa\u00e7\u00e3o estamos reproduzindo na \u00edntegra a denuncia e solicitando provid\u00eancias imediatas, bem como, colocado-nos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o caso a entidade queira responder.<\/p>\n<p>Confira na \u00edntegra como tudo aconteceu em seu relato:<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<div class=\"article-content clearfix\">\n<div class=\"entry-content clearfix\">\n<p>\u201cComo algumas pessoas j\u00e1 sabem, eu estava gr\u00e1vida de 7 semanas quando fui surpreendida por um assalto, em que fui agredida pelo ladr\u00e3o (rasgou meu vestido, puxou meu cabelo, bateu em meu rosto), juntamente com mais dois amigos, durante a minha estadia no Acre, para participar do Encontro Nacional do Ensino de Qu\u00edmica. Ap\u00f3s o ocorrido, apresentei c\u00f3lica e sangramento e imediatamente procurei a maternidade local, Maternidade B\u00e1rbara Heliodora, que diga-se de passagem fui bem atendida. Durante a consulta o obstetra fez o exame do toque e afirmou que o colo do meu \u00fatero estava fechado, me medicou e me liberou. Retornamos para o hotel. Era domingo, 14 de julho, e o meu retorno para casa estava previsto para madrugada de sexta, 20 de julho. Durante todo esse per\u00edodo apresentei sangramento e comecei a repousar sempre que podia. Percebendo uma melhora no sangramento quando eu fazia isso, passei a repetir durante todo o tempo.<\/p>\n<p>Na noite que antecedeu a madrugada de sexta eu j\u00e1 n\u00e3o sangrava mais, pois passei o dia repousando. Chegou a madrugada e fomos n\u00f3s para o aeroporto, chegando l\u00e1, novamente sangrei, mas mantive a calma e vim para casa. Chegando em Ilh\u00e9us, 20 de julho, come\u00e7ou meu maior pesadelo. Fui para a Maternidade Santa Helena em busca de atendimento, chegando l\u00e1 fui atendida por uma enfermeira que fez novamente o exame do toque e detectou que meu colo estava fechado, mas que eu teria que fazer um ultrassom para saber da sa\u00fade do beb\u00ea. E pasmem, na maternidade n\u00e3o faz ultrassom. Eu fui liberada pela enfermeira, que disse que era para eu fazer a ultrassom no dia seguinte pela manh\u00e3 em alguma cl\u00ednica e retornar l\u00e1.<br \/>\nS\u00e1bado, 21 de julho, 07h da manh\u00e3, estava eu na cl\u00ednica, peguei a ficha n\u00famero 60 e a ang\u00fastia tomava conta de mim e a espera tornava tudo mais doloroso. Chegou minha vez, o sangue escorria em minhas pernas e o m\u00e9dico come\u00e7ou o exame endovaginal. Primeira pergunta: na \u00faltima vez que voc\u00ea fez ultrassom ele estava vivo? Aquilo j\u00e1 come\u00e7ou a d\u00e1 ind\u00edcios que a not\u00edcia que eu receberia n\u00e3o era boa. Ap\u00f3s a pergunta e depois de muito mexer, veio a not\u00edcia mais triste que eu poderia receber naquele dia: Infelizmente, n\u00e3o tem mais batimentos. O mundo desabou sobre mim, eu s\u00f3 queria minha casa, minha m\u00e3e, meu noivo (que esteve comigo o tempo inteiro). Eu s\u00f3 queria sair dali. Ao dar o resultado de aborto retido o m\u00e9dico informou que eu deveria procurar a maternidade. L\u00e1 estava eu novamente na maternidade Santa Helena, fiz a ficha e fiz a triagem com a enfermeira que fria e prontamente falou que eu tinha condi\u00e7\u00f5es de expelir aquilo sozinha, mas que iria esperar a conduta m\u00e9dica. E l\u00e1 se foram duas horas de espera pela conduta m\u00e9dica e nada, enquanto o mundo desabava em minha cabe\u00e7a. Desistimos.<br \/>\nUm casal de grandes amigos foram nos buscar na maternidade para nos levar em Itabuna para outra maternidade. Chegamos l\u00e1. Hospital Manoel Novaes. Fiz a triagem, com um pouco de demora, mas muito bem assistida pela equipe de enfermagem, passei pelo m\u00e9dico, que fez o exame do toque e outro ultrassom para confirmar o resultado que eu levei, e de fato, comprovada morte embrion\u00e1ria. A partir dali come\u00e7ou outra dor, ele colocou um medicamento chamado Misoprostol, vulgo Cytotec e me liberou para casa. Eram 17:40 do dia 21 de julho, come\u00e7ou as contra\u00e7\u00f5es como consequ\u00eancia do uso do medicamento, dores brandas. 19h, as dores pioraram e cada segundo intensificava. 20h, 21h, 22h, 23h, v\u00f4mitos e mais v\u00f4mitos, enfim, 23:35 senti a dor mais forte de todas, sentei no vaso sanit\u00e1rio e vi minha sementinha descendo pelo ralo. A dor na alma permanecia, mas a dor f\u00edsica passou. Como esperado continuei com sangramento, mas nada que me causasse mal-estar.<br \/>\nO resguardo come\u00e7ou e tamb\u00e9m passei a refletir sobre os prop\u00f3sitos de Deus, todos os dias antes de dormir e chorava, quietinha, calada, s\u00f3 eu e Deus e as vezes meu noivo. N\u00e3o vou elencar aqui todas as coisas que fui capaz de aprender com esse momento doloroso, mas garanto hoje eu sou muito amor, porque eu tive o amor gerado dentro de mim. E hoje, eu posso ver e garantir que ser resiliente \u00e9 uma das maiores virtudes humanas. Domingo. Segunda. Ter\u00e7a. Quarta. Quinta, dia de ir no posto de sa\u00fade conversar com a enfermeira, afinal eu j\u00e1 tinha at\u00e9 come\u00e7ado o pr\u00e9-natal. Na consulta ela pediu que eu fizesse um ultrassom para saber se com o medicamento eu tinha conseguido expelir tudo.<br \/>\nS\u00e1bado, 28 de julho, 08h da manh\u00e3, estava eu mais uma vez na cl\u00ednica para fazer ultrassom. E mais uma vez me deparei com sangue escorrendo. O m\u00e9dico come\u00e7ou o exame, em meio a tantas mulheres ele j\u00e1 n\u00e3o lembrava de mim. Perguntou o porqu\u00ea de eu estar ali. Expliquei e ele falou: voc\u00ea deveria ter feito, al\u00e9m do uso do medicamento, um procedimento chamado curetagem. E l\u00e1 vamos n\u00f3s, eu e meu noivo, reviver aquele triste s\u00e1bado, 8 dias depois. Fomos para a Maternidade Santa Helena, fiz a ficha 12h, a enfermeira do plant\u00e3o estava prestes a sair, tivemos que esperar a outra (inclusive a mesma que me atendeu na sexta, 20 de julho), que s\u00f3 chegou 13h. Enfim me chamou para a triagem. Novamente fez o toque e viu colo fechado e me disse que os restos do parto eu colocaria para fora espontaneamente, era s\u00f3 eu esperar cerca de 28 dias. 28 dias, vulner\u00e1vel a infec\u00e7\u00f5es, inflama\u00e7\u00f5es e muito sangramento.<br \/>\nN\u00e3o aceitei essa ordem e minha m\u00e3e procurou a diretoria do hospital e alguns outros contatos influentes da sa\u00fade de Ilh\u00e9us por telefone, que prontamente ligou para a maternidade pediu para falar com a enfermeira, que imediatamente me chamou de volta, uma vez que ela j\u00e1 tinha me dado alta, e deu entrada no meu processo de internamento para fazer a curetagem, por\u00e9m esse tipo de procedimento n\u00e3o pode ter acompanhante. E ai, fica a pergunta, \u00e9 desse jeito que a sa\u00fade funciona no SUS? \u00c9 desse jeito que o SUS em Ilh\u00e9us funciona?<br \/>\nFui encaminhada para a sala de pr\u00e9-parto, coletaram sangue para exame, aferiram minha press\u00e3o e me colocaram numa cama. Durante todo esse processo, apenas tive uma t\u00e9cnica de enfermagem preocupada com meu estado emocional, as outras da equipe, ou me olhavam como se eu estivesse ali por que eu fiz um aborto ilegal ou eram frias a ponto de n\u00e3o reconhecer que eu estava muito triste por tudo isso. E garanto, esse tipo de humilha\u00e7\u00e3o doi muito mais que a not\u00edcia da morte do beb\u00ea.<br \/>\nO internamento foi 14:30, a partir desse hor\u00e1rio eu n\u00e3o poderia mais comer, nem beber \u00e1gua, at\u00e9 ai tudo bem. Enquanto estava no quarto sozinha eu chorava muito, at\u00e9 que a enfermeira entrou no quarto e perguntou o motivo do choro e se eu estava com dor, eu neguei e disse que estava triste, ela perguntou porque a tristeza, afinal ela n\u00e3o via motivo para tanto choro e saiu do quarto. Fiquei l\u00e1 at\u00e9 as 17:40 sem nenhuma not\u00edcia de que horas faria o procedimento, foi quando sai do quarto e perguntei a t\u00e9cnica de enfermagem se ainda faria ontem. Ela disse que n\u00e3o sabia. Voltei para o quarto e chorei, chorei muito. 18:00 perguntei novamente a outra enfermeira e para meu desespero ela me explicou que a maternidade n\u00e3o chama anestesista para fazer apenas curetagem e que meu caso n\u00e3o era urgente, a\u00ed caso aparecesse um parto cesariano eu desceria para o centro cir\u00fargico junto e aproveitaria o anestesista. Mais algumas horas de choro e desespero. At\u00e9 que, 20:30 o m\u00e9dico sai da sala de conforto e avisa, leva a ces\u00e1ria e aproveita e leva a cureta tamb\u00e9m que eu j\u00e1 estou descendo. Sensa\u00e7\u00e3o de al\u00edvio tomou conta de mim. Desci. Eu, minha f\u00e9, Deus e os m\u00e9dicos. O enfermeiro do centro cir\u00fargico e o anestesista foram maravilhosos e cuidadosos comigo.<br \/>\nAnestesiada geral, o procedimento foi realizado sem nenhuma intercorr\u00eancia, as 22:30 eu acordei j\u00e1 estava no quarto, sem dor e aliviada. E hoje, domingo 29 de julho, minha alta chegou \u00e0s 10h. Estou aqui em minha casa, com minha fam\u00edlia. Melhor lugar poss\u00edvel. Mas, preciso expressar o quanto eu fui maltratada na maternidade, em decorr\u00eancia do preconceito acerca do aborto. Eu n\u00e3o abortei porque eu quis, eu queria ter meu filho, queria hoje estar comemorando as suas 9 semanas de vida dentro de mim. E mesmo se eu tivesse abortado por vontade pr\u00f3pria, a equipe do hospital n\u00e3o tem o direito de fazer o que fez, de ignorar todo desgaste emocional que eu estou vivendo.\u201d<\/p>\n<p>Roberta Concei\u00e7\u00e3o Bonfim<\/p>\n<p>Blog Ilh\u00e9us em Pauta<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 A equipe do Blog Ilheusempauta apurou que na manh\u00e3 deste domingo, 29,\u00a0 o triste relato de uma m\u00e3e desesperada, que ao perder seu beb\u00ea, precisou fazer uma curetagem e passou por momentos de ang\u00fastia, descaso e desrespeito na Maternidade Santa Helena em Ilh\u00e9us. 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