{"id":15432,"date":"2018-06-24T15:28:01","date_gmt":"2018-06-24T18:28:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ilheusnoticias.net.br\/v1\/?p=15432"},"modified":"2018-06-24T15:28:01","modified_gmt":"2018-06-24T18:28:01","slug":"torcedoras-se-organizam-para-lutar-contra-o-machismo-no-futebol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ilheusnoticias.net.br\/v1\/2018\/06\/24\/torcedoras-se-organizam-para-lutar-contra-o-machismo-no-futebol\/","title":{"rendered":"Torcedoras se organizam para lutar contra o machismo no futebol"},"content":{"rendered":"<div class=\"newsHeader\"><\/div>\n<div class=\"cmp3AdBanners pull-right hidden-print\"><\/div>\n<article>No \u00faltimo dia 20, o mundo viu\u00a0pela primeira vez, em quase 40 anos, torcedoras do Ir\u00e3 acompanhando\u00a0em um est\u00e1dio\u00a0o jogo da sele\u00e7\u00e3o masculina de futebol do pa\u00eds contra a Espanha pela segunda rodada do Grupo B da Copa do Mundo. Desde a Revolu\u00e7\u00e3o Isl\u00e2mica essas torcedoras eram proibidas de frequentar jogos dos iranianos como uma medida protetiva por conta de posturas vulgares e ofensivas comuns nas arquibancadas. Se por um lado a\u00a0Mundial na R\u00fassia deixa esse marco, por outro, registros de ass\u00e9dio envolvendo torcedores t\u00eam revelado apenas a ponta de um problema que \u00e9 muito comum: o ambiente\u00a0muito machista do futebol afasta as mulheres que gostariam de frequentar os est\u00e1dios.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-medio_4colunas type-image atom-align-left\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<figure class=\"mejs-fotoh-wrapper\"><img class=\"img-responsive full full\" title=\"Torcedoras acompanha jogo entre Ir\u00e3 e Espanha na Copa da R\u00fassia\/EFE\/EPA\/Robert Ghement\/Direitos Reservados\" src=\"http:\/\/imagens.ebc.com.br\/sIRhfn7NfrUgDcyDF0hGN8W30ww=\/365x0\/smart\/http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/636651200323620525m.jpg?itok=FXYHsrx0\" alt=\"Torcedoras acompanha jogo entre Ir\u00e3 e Espanha na Copa da R\u00fassia\" \/><\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<div class=\"meta\">Torcedoras acompanha jogo entre Ir\u00e3 e Espanha na Copa da R\u00fassia &#8211;\u00a0<strong>EFE\/EPA\/Robert Ghement\/Direitos Reservados<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<div class=\"meta\"><\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<article>Nos \u00faltimos dias, foi grande a repercuss\u00e3o de not\u00edcias sobre grupos de torcedores brasileiros e argentinos que, em supostas brincadeiras, desacataram torcedoras russas e, em um dos epis\u00f3dios, tamb\u00e9m uma jornalista. Ainda que n\u00e3o se trate de uma cultura exclusiva do Brasil, aqui\u00a0as ofensas ganharam propor\u00e7\u00f5es suficientes para que torcedoras se organizassem em diversos grupos pelas redes sociais para protestar contra este tipo de atitude.<\/p>\n<p>\u201cA ideia de criar o movimento veio de torcedoras que, em um bate papo, se reuniram e come\u00e7aram a falar sobre o preconceito de maneira geral contra as mulheres na arquibancada, o excesso de machismo, o ass\u00e9dio. Aqueles ataques como o de que mulher n\u00e3o entende de futebol, e o lugar de mulher \u00e9 atr\u00e1s do fog\u00e3o. O movimento surgiu para mostrar a for\u00e7a que a mulher tem tamb\u00e9m nas arquibancadas do Brasil afora\u201d, explicou Elise Oliveira, administradora da p\u00e1gina Lugar delas \u00e9 na Bancada, no Facebook. O movimento re\u00fane mulheres de todo o pa\u00eds, torcedoras de diferentes times.<\/p>\n<p>Sem se intimidar com as agress\u00f5es, aos 33 anos, a paranaense Elise contabiliza o n\u00famero de jogos de seu time &#8211; Atl\u00e9tico Paranaense \u2013 que acompanhou das arquibancadas em Curitiba e em outros estados. Mas, na mesma conta, entram, pelo menos, tr\u00eas casos de ass\u00e9dio sofridos pela torcedora.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 muito comum o ass\u00e9dio nas arquibancadas. Uma vez, na fila do est\u00e1dio, passaram a m\u00e3o debaixo da minha perna at\u00e9 minhas partes \u00edntimas. Outro caso foi de uma mulher que me revistou na entrada do est\u00e1dio e foi super invasiva. Fiz den\u00fancia na delegacia especial de eventos de futebol de Curitiba e recebi a resposta de que aquele era o procedimento. Ela me deu um tapa nas partes \u00edntimas\u201d, contou.<\/p>\n<p>A atleticana que recha\u00e7a, em nome do grupo e na p\u00e1gina da rede social, os casos ocorridos na R\u00fassia, disse que \u00e9 comum ataques verbais nos est\u00e1dios brasileiros. \u201cEm um jogo no Pacaembu, em S\u00e3o Paulo, pela Copa do Brasil, estava com duas outras meninas na arquibancada e quando a gente passava tinham xingamentos e gritos com palavras de baix\u00edssimo cal\u00e3o contra nossa presen\u00e7a ali, pelo fato de sermos mulheres e estarmos no est\u00e1dio\u201d, disse.<\/p>\n<p>O movimento do qual Elise vai realizar, em agosto, um encontro nacional com outras torcedoras em Fortaleza para tentar definir estrat\u00e9gias para mudar a postura ofensiva \u00e0s mulheres nos est\u00e1dios.<\/p>\n<p>A jornalista Ana Freire, uma das integrantes do movimento Vasca\u00ednas Contra o Ass\u00e9dio, explicou que a primeira vez que as torcedoras se encontraram foi em S\u00e3o Paulo, em um clima de desabafo. \u201cA nossa expectativa agora \u00e9 conscientizar as mulheres com palestras mais did\u00e1ticas para tratar, inclusive, dos ass\u00e9dios velados\u201d, disse.<\/p>\n<p>O Vasca\u00ednas \u00e9 um dos movimentos mais recentes nessa luta. Mas, apesar de ter menos de um m\u00eas, conseguiu avan\u00e7ar na sensibiliza\u00e7\u00e3o de alguns dirigentes. Ao tentar marcar o primeiro encontro em S\u00e3o Janu\u00e1rio, no Rio de Janeiro, a ades\u00e3o de mulheres superou as expectativas e chamou a aten\u00e7\u00e3o de S\u00f4nia Andrade, primeira vice-presidente mulher da hist\u00f3ria do Vasco, que abriu as portas do est\u00e1dio para a reuni\u00e3o ocorrer l\u00e1 dentro.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-medio_4colunas type-image atom-align-right\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<figure class=\"mejs-fotoh-wrapper\"><img class=\"img-responsive full full\" title=\"Torcedora russa na cidade de Nihzny Novgorod, acompanha partida contra o Egito\/Franck Robichon\/EFE\/EPA\/Direitos Reservados\" src=\"http:\/\/imagens.ebc.com.br\/fqjd9jWAItvASB6YklhMdKJlGLw=\/365x0\/smart\/http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/636650426891831220m.jpg?itok=L72Ni9dQ\" alt=\"Torcedora russa na cidade de Nihzny Novgorod, acompanha partida contra o Egito\" \/><\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<div class=\"meta\">Torcedora russa na cidade de Nihzny Novgorod, acompanha partida contra o Egito &#8211;\u00a0<strong>Franck Robichon\/EFE\/EPA\/Direitos Reservados<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>A sensibiliza\u00e7\u00e3o da dirigente, que deveria ser considerada uma conquista, acabou engrossando a bola de neve de cr\u00edticas contras as torcedoras. \u201cEla garantiu o apoio, mas isto n\u00e3o significa que o movimento est\u00e1 submetido ao clube. \u00c9 um movimento apartid\u00e1rio. Mas, estamos recebendo v\u00e1rios coment\u00e1rios com ataques e a maioria acaba tamb\u00e9m agredindo uma das torcedoras que est\u00e1 na foto do encontro usando um short. \u00c9 muito sujo. A menina ficou muito abalada\u201d, lamentou Ana. Entre as frases ofensivas, torcedores dizem que a vasca\u00edna \u201cest\u00e1 pedindo [para ser assediada]\u201d por usar os shorts.<\/p>\n<p>Mais do que apenas lamentar o que tem visto, Ana tamb\u00e9m foi v\u00edtima de situa\u00e7\u00f5es como esta. No \u00faltimo jogo do Vasco, contra o Sport, a vasca\u00edna estava com as outras torcedoras para fazer a tradicional foto de comemora\u00e7\u00e3o pela vit\u00f3ria do time e encostou em uma grade do est\u00e1dio. \u201cUm cara me deu um tapa muito forte na bunda. Para muita gente pode parecer mimimi [reclama\u00e7\u00e3o exagerada], mas eu me senti abusada. O pior \u00e9 que seu eu grito ou reclamo disso, sou tida como maluca que est\u00e1 fazendo tempestade em um copo d\u2019\u00e1gua. Eu j\u00e1 deixei muito as coisas passarem batido, mas hoje n\u00e3o deixo mais. Percebo que muitos meninos est\u00e3o tentando mudar. Isso me deixa feliz porque estamos querendo conquistar um espa\u00e7o que tamb\u00e9m \u00e9 nosso\u201d, desabafou.<\/p>\n<\/article>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No \u00faltimo dia 20, o mundo viu\u00a0pela primeira vez, em quase 40 anos, torcedoras do Ir\u00e3 acompanhando\u00a0em um est\u00e1dio\u00a0o jogo da sele\u00e7\u00e3o masculina de futebol do pa\u00eds contra a Espanha pela segunda rodada do Grupo B da Copa do Mundo. 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