{"id":13558,"date":"2018-03-24T16:35:38","date_gmt":"2018-03-24T19:35:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ilheusnoticias.net.br\/v1\/?p=13558"},"modified":"2018-03-24T16:35:38","modified_gmt":"2018-03-24T19:35:38","slug":"primeira-mulher-mestre-de-obras-da-bahia-luta-pela-insercao-do-genero-na-construcao-civil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ilheusnoticias.net.br\/v1\/2018\/03\/24\/primeira-mulher-mestre-de-obras-da-bahia-luta-pela-insercao-do-genero-na-construcao-civil\/","title":{"rendered":"Primeira mulher mestre de obras da Bahia luta pela inser\u00e7\u00e3o do g\u00eanero na Constru\u00e7\u00e3o Civil"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_13559\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.ilheusnoticias.net.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/mu\u00e7her-contru\u00e7\u00e3o-civil.jpg\" rel=\"attachment wp-att-13559\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-13559\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-13559\" src=\"http:\/\/www.ilheusnoticias.net.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/mu\u00e7her-contru\u00e7\u00e3o-civil-300x200.jpg\" alt=\"Maria do Amparo, primeira mestre de obras da Bahia Foto: Carol Garcia\/GOVBA\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/www.ilheusnoticias.net.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/mu\u00e7her-contru\u00e7\u00e3o-civil-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ilheusnoticias.net.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/mu\u00e7her-contru\u00e7\u00e3o-civil.jpg 512w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-13559\" class=\"wp-caption-text\">Maria do Amparo, primeira mestre de obras da Bahia<br \/>Foto: Carol Garcia\/GOVBA<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div id=\"x_story_text\">Lugar de mulher \u00e9 onde ela quiser, e v\u00e1rias representantes baianas do g\u00eanero feminino s\u00e3o bons exemplos disso. Maria do Amparo Xavier, 62 anos, \u00e9 um deles. Filha de um pequeno povoado de Jaguaripe, no Rec\u00f4ncavo baiano, ficou conhecida por ser a primeira mestre de obras da Bahia e, atualmente, d\u00e1 palestras e luta pela inser\u00e7\u00e3o das mulheres no mercado de trabalho, mais especificamente, na Constru\u00e7\u00e3o Civil.<\/p>\n<p>Muito pobre, passou a inf\u00e2ncia dentro de uma casa de palha e, conta que, \u201cassim que viu um lar constru\u00eddo com v\u00e1rios tijolinhos\u201d, teve a certeza de que passaria a vida entre vigas e concretos, erguendo edifica\u00e7\u00f5es e fazendo hist\u00f3ria. \u201cNunca foi f\u00e1cil para a mulher estar inserida na Constru\u00e7\u00e3o Civil, pois se trata de um trabalho tipicamente masculino. Mas, tratando-se desse segmento, posso falar que conhe\u00e7o tudo, seja na constru\u00e7\u00e3o leve ou pesada\u201d.<\/p><\/div>\n<div>\n<div align=\"center\"><\/div>\n<p>A carreira come\u00e7ou aos 14 anos, varrendo um canteiro um canteiro de obras. Com muita luta, suor e perseveran\u00e7a Maria foi subindo de posi\u00e7\u00e3o &#8211; servente, carpinteira, pedreira e armadora &#8211; at\u00e9 chegar a comandar importantes obras, como empregada de grandes construtoras. No in\u00edcio dos anos 90, liderou in\u00fameros homens nas interven\u00e7\u00f5es que requalificaram a Pra\u00e7a Dois de Julho, conhecida pelos soteropolitanos como \u2018Pra\u00e7a do Campo Grande\u2019. \u201cEu fui a encarregada de toda a reforma da pra\u00e7a, uma obra maravilhosa, que na \u00e9poca gerou uma repercuss\u00e3o enorme. Eu era \u00fanica mulher na obra. Cada cantinho dessa pra\u00e7a tem um pouquinho de mim\u201d, diz orgulhosa.<\/p>\n<p>Outra importante obra chefiada por Maria, que contou com uma equipe de mais de dois mil homens, foi a urbaniza\u00e7\u00e3o, em 1998, do Dique do Toror\u00f3, um dos equipamentos p\u00fablicos mais significativos de Salvador. \u201cFoi uma obra bem complicada, por conta do pouco espa\u00e7o e das pistas laterais, e bastante fiscalizada pela Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado [Conder]. Fizemos toda a requalifica\u00e7\u00e3o, a limpeza total das \u00e1guas, constru\u00edmos toda a \u00e1rea de lazer e hoje d\u00e1 orgulho de ver esse espa\u00e7o, assim, lindo e freq\u00fcentado assiduamente por turistas e soteropolitanos\u201d.<\/p>\n<p>Com o que aprendeu e, posteriormente, conquistou, Maria foi capaz de trazer a m\u00e3e e os irm\u00e3os &#8211; o pai j\u00e1 havia falecido &#8211; para a capital baiana. A profissional assegura que n\u00e3o foi f\u00e1cil decidir trabalhar apenas com homens, mas soube quebrar esse tabu usando do perfeccionismo e prezando pela manuten\u00e7\u00e3o de um clima agrad\u00e1vel no canteiro de obras. \u201cN\u00e3o basta ser chefe. Tem que saber ser l\u00edder. Ao desempenhar esse papel, automaticamente, se aprende a trabalhar, respeitando o outro e sendo respeitada\u201d.<\/p><\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<div id=\"x_story_text\"><\/div>\n<div id=\"x_story_text\"><b>A luta continua<\/b><\/p>\n<p>Maria est\u00e1 prestes a lan\u00e7ar um segundo livro &#8211; o primeiro foi a biografia intitulada \u2018Simplesmente Maria\u2019. Atualmente, \u00e9 secret\u00e1ria de Pol\u00edtica para as Mulheres do Sindicato dos Trabalhadores da Constru\u00e7\u00e3o Pesada e Montagem Industrial do Estado da Bahia (Sintepav) e For\u00e7a Sindical. De acordo com a mestre de obras, \u201co desafio \u00e9 inserir cada vez mais mulheres no segmento, e temos importantes vit\u00f3rias para comemorar. Nas obras da Arena Fonte Nova, por exemplo, tivemos 450 mulheres atuando. Na constru\u00e7\u00e3o do metr\u00f4, foram mais de 800 mulheres\u201d.<\/p>\n<p>Maria finaliza brincando &#8211;\u00a0 \u201cmeu grande desafio \u00e9 descobrir uma substituta. Estou envelhecendo\u201d. Mas, logo em seguida, o riso d\u00e1 lugar ao papo s\u00e9rio. \u201c\u00c9 extremamente necess\u00e1rio que as mulheres ocupem os espa\u00e7os de poder em todos os lugares, seja na pol\u00edtica partid\u00e1ria, sindical. \u00c9 preciso lembrar que n\u00f3s, mulheres, somos competentes e trabalhamos muito bem\u201d.<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lugar de mulher \u00e9 onde ela quiser, e v\u00e1rias representantes baianas do g\u00eanero feminino s\u00e3o bons exemplos disso. Maria do Amparo Xavier, 62 anos, \u00e9 um deles. 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