O pequeno município de Itapé, a 24 quilômetros de Itabuna, foi “embalado” pelo luto, na manhã desta sexta-feira (13) durante o sepultamento dos corpos da dona de casa, Rosineide Castro Aranha, de 31 anos, e da filha, a recém-nascida, Mônica, que morreram na última quarta-feira (11), após o parto, na Maternidade Ester Gomes (Mãe Pobre), em Itabuna.
A população, consternada diante da tragédia, que destruiu uma família, prestou as últimas homenagens à mãe e filha, solidarizando-se com a dor do pai, o motorista Laércio, que denunciou o obstetra Carlos Coelho, por negligência médica.

Do fato

“Peregrinação” de gestante na maternidade Ester Gomes termina em tragédia; mãe e filha morrem

Uma família dizimada da noite para o dia. Mãe e filha mortas. E um esposo e pai que chora, amargamente, a perda das duas.  Uma dor, que pode ter sido causada por negligência médica. Isso mesmo. A dona de casa, Rosineide Costa Aranha, de 31 anos, e o marido, moradores de Itapé, município sem muitos recursos, viveram uma verdadeira peregrinação na Maternidade Ester Gomes, em Itabuna. Foram muitas idas e voltas.
Segundo o motorista Laércio, a esposa começou a sentir dores desde o início do mês passado.  Ele conta que as duas primeiras ultrassonografias indicavam que a previsão de parto seria até o dia sete de março. De lá para cá, o casal foi, ao todo, seis vezes na Ester Gomes, mas os obstetras sempre diziam que ainda não estava na hora.
Sustentaram esse argumento até a penúltima vez, mesmo após a gestante ter ido a uma clínica particular e fazer outro exame. Lá, o médico informou que ela só tinha aquele dia (03 de abril), pois a criança já estava pesando quatro quilos e 300 gramas e a placenta já estava no grau três de maturidade, a última na escala.
Ontem (11), mais uma vez, a dona de casa, acompanhada do marido, voltou ao hospital e, por volta das 10 horas da manhã, a criança nasceu. Mas já era tarde.
A menina estava morta. Se chamaria Mônica. A mãe teve uma hemorragia no útero e, em estado grave, foi transferida para o hospital de Base, onde também morreu, por volta das 16 horas do mesmo dia.
Abalado, revoltado e inconformado com as mortes da mulher e de sua primeira filha, Laércio registrou queixa na Polícia Civil contra o médico Carlos Coelho, pois, de acordo com ele, foi este profissional que atendeu a esposa dele nas duas últimas vezes que antecederam o internamento da mulher, afirmando que ainda não era a hora.
“Foi negligência médica, porque o bebê passou da hora de nascer. Fico pensando: será meu Deus, que isso aconteceu porque foi pelo SUS? Fico muito triste com isso”, desabafou o motorista. Rosineide deixa quatro filhos órfãos, frutos do primeiro casamento.
Procurado pela TV Santa Cruz, o obstetra Carlos Coelho disse que não se pronunciaria sobre o assunto, alegando que não foi ele quem atendeu a dona de casa. Já a direção da maternidade até o momento não se manifestou sobre o caso.
Rosineide Costa Aranha, de 31 anos